Autoria

Os textos aqui divulgados são de minha autoria, coisas que escrevo nas noites tranquilas e de reflexão.

Fazem parte da minha vida, fatos ocorridos que retrato de uma forma criativa e com muitas alegorias, onde procuro provocar a analise do cotidiano e registrar minhas memórias.

Para isso transformo em pequenas histórias ou contos, que possuem parte real e parte inventado. Tente desvendar o que é real e o que não é...

Sejam sempre bem-vindos.







quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

De machucho a chuveiro-balde!

Esta história de sacolinhas plásticas ecologicamente corretas e o uso das antigas sacolas de feira me fizeram viajar em minhas memórias.

Lá na caixinha da infância tenho guardadas algumas imagens legais, minha mãe e a tia Aurora na feira, comprando nas famosas feiras livres de São Paulo, onde encontrávamos além dos japoneses uma mistura incrível de nacionalidades.

Havia árabes vendendo “ducinhos” frágeis e deliciosos, todos muito coloridos e cheiravam... como cheiravam bem, até abelhas vinham nas barracas.

Outra barraca legal era dos japoneses, sempre tinha brasileiro de funcionário e vendiam legumes, verdura e frutas. As japonesas gritavam:

“Olha o machucho freguesa, tá fresquinho direto da horta”

Não me perguntem por que, mas machucho para eles é chuchu... uma questão de tradução, mais sotaque ou sei lá o quê (risos).

Outra coisa que os orientais adoram é pastel e toda a feira que se preze tem que ter pastel com muito recheio, enormes, crocantes e quentinhos. Tinha de queijo, carne moída, calabresa, bacalhau e o especial que era grandão e vinha com ovo fatiado dentro. Mais nenhum era igual ao de palmito... uhhhh palmito.

E com isso o brasileiro encontrou um jeitinho de ganhar dindin, ao lado dessas barracas sempre tem caldo de cana. Caldo com limão, com abacaxi, puro ou misturado sempre geladinho.

Os descendentes de alemães sempre apareciam com barracas de embutidos e vendiam mortadela, linguiças, etc.

Já os espanhóis, portugueses e italianos gostavam de comercializar azeitonas, pepinos em conserva, temperos e condimentos coloridos. Eu comia um negócio chamado tremoço, uma delicia de semente em conserva.

Já os nordestinos aproveitavam está mistura de gente e armavam as barracas de “secos e molhados”, minha mãe amava comprar charque, goiabada cascão, camarão seco, feijão de corda e tantas outras gostosuras engordativas, porém deliciosas.

Os turcos vendiam vassouras, rodos, tampa para ralo, espanador, passadeiras para o piso, segura-porta, chuveiro-balde e tudo mais que você precisasse. Eram barracas enormes e aceitavam encomendas para próxima semana, caso não tivessem o produto.

Tinha gente que vendia roupas, camisolas, chinelos... e vendiam em parcelas, marcadas no caderninho. E acreditem!!!! As pessoas pagavam religiosamente as prestações feitas ali mesmo na calçada.

Talvez por isso que chamavam “feiras livres”, além de serem nas avenidas onde o transito era desviado para acontecer o evento semanal, as pessoas andavam livremente, compravam, conversam, sorriam, se importavam umas com as outras e acreditavam umas nas outras.

Lembro-me que uma vez uma das barraca não apareceu. Ninguém veio armar e trazer mercadorias, o lugar ficou ali vago em meio a todos vendendo. As pessoas olhavam tristes e perguntavam por que aqueles amigos semanais não haviam comparecido...e eu era pequenina demais, não me lembro do desfecho desta parte da história e o que aconteceu depois.

Mas lembro que naquele dia... as pessoas ficaram muito preocupadas com aquela família.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

Panela de Ferro

Lembrando de minha infância é impossível não ter na gaveta de memórias a panela de ferro.

Sempre que chegava à casa de minha Tia Aurora, lá estava ela com alguma gostosura. O arroz bem branquinho ou uma carne deliciosa... tudo tinha uma sabor de carinho.

Passou o tempo, mais se eu fechar os olhos vem o sabor na boca, o cheiro da memória infalível e as lembranças trazem uma mistura de amor e saudade. Daí fica fácil resgatar o sorriso e a carinha de contente que ela fazia ao ver todos nós comendo juntos.

Minha vida inteira é feito dessas pequeninas coisas, essas alegrias primaveris... eu tenho história, sei de onde venho e o que preciso cultivar para não morrer toda uma história. Não procuro acertar na vida, pois errar é feio, procuro acertar o passo, pois devo isso a todos os meus antepassados. Não que não erre, pois todos nos enganamos e cometemos deslizes, mais tenho uma reputação a zelar que não é só minha, muitos colaboraram para que eu chegasse onde cheguei.

Tenho certeza absoluta que onde quer que estejam estão zelando por mim e eu tenho que no mínimo buscar uma melhor forma de viver, sem magoar ninguém, sendo justa e tendo compaixão para o meu próximo ...e tantas outras atitudes que estão ficando fora de moda...como por exemplo a lealdade.

Minha tia me achava um docinho...então devo a ela pelo menos adoçar a vida.

Ritinha


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Varal


Daqui eu vejo o varal...o vento sopra o colorido das roupas esticadas na corda e parece colorir todo o espaço ao seu redor.
Tremulas, as peças dançam ao bel prazer do sopro do vento, que chicoteia eliminando gotículas de vida.
As folhas trazidas pelo vento passam sem macular a brancura das peças de cama, e a poeira do chão sob devagar e o vento sacodi para longe, antes que manche a história de uma tarde agradável de sol.
O sol brilha intensamente e faz com que as cores revivam momentos de alegria, quando as roupas grudadas no corpo de seus senhores passeavam nas vilas e lugares do mundo.
As roupas da casa que sempre tiveram ciúmes das roupas de vestir, observam a rua lá em baixo e o zig zag de gente e de carros sonhando em voar pelos céus e conhecer o mundo.
As roupas cansadas do trabalho aguardam um momento de sossego no armário e pesam nas férias que estão por vir.
O céu azul de novembro abre o caminho da reflexão, pois já é final de ano e 2012 não tarda a chegar.
O barulho da pouca natureza que resta ao seu redor é vida e os pássaros cantam felizes por terem este oásis no centro da cidade, que agora é grande.
Quem virá poupa-las do sereno da noite que aos poucos chega e trás consigo a escuridão de pensamentos?
Quem irá acomodá-las no balaio de sonhos e depois estica-las para que se tornem peças singulares no armário de vestir?
Em que gavetas dormiram as roupas de cama?
Em que armário descansara as peças de secar o suor da labuta de cada dia?
E o vento sopra apagando memórias deixadas pelos corpos e mantem as vivências que surram as peças... que nada mais são do que peles sem almas...mas que sobrevivem.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Joãozinho na Faculdade

Recebi um e.mail de um amigo baiano, que dizia ser a última do Joãozinho agora na faculdade.
Daí fiquei pensando como ele chegou lá...e ai sai da minha vida “normal” e adentrei em meu universo “pedagógico” e descobri que até Joãozinho foi beneficiado pela não reprovação!!!
Olhem que incrível até ele que é um personagem, uma história contada como tantas outras ao decorrer de anos e mais anos, foi beneficiado pelas mudanças de nosso cotidiano.
Quem diria Joãozinho na faculdade, não reprovado no processo de aprendizagem, recebendo todo o apoio do processo de inclusão está na faculdade!!!
Na verdade Joãozinho ao longo de sua existência imaginária, sempre foi um aluno esperto, com raciocínio rápido, digamos que com caminhos diferentes alcançou resultados inimagináveis.
Como será a colação de grau deste personagem tão brasileirinho?

Como será que aconteceu seu teste vocacional?

Qual seria o curso de graduação escolhido?
Será chamado de Dr. João, ou Prozinho João?
Será um homem das letras, dos números, da saúde ou das leis?
Tal qual a turma da Mônica Joãozinho cresceu...
Fico imaginando seu semblante na colação de grau e percebo que ele é um velho amigo e que mesmo um amigo imaginário nos deixa feliz ao provar que pode ser alguém na vida!É nossa eterna esperança de que tudo vai dar certo e que Deus nos criou para sermos felizes de verdade, com ou sem faculdade, porém plenamente realizados em um amor universal.


domingo, 10 de julho de 2011

O Guarda Roupa


Quando aqui cheguei ele já estava lá...sombrio e gigantesco.
A cada noite era como uma sombra ruim ...durante o dia algo incomodo que não parava limpo ou organizado.
Não coloquei roupas ou coisas intimas nele, apenas papeis e documentos... coisas de se ler. Depois de muito negociar finalmente chegou o “gran finale” do monstro.


André era o nome do meu herói, trazia com ele uma pequena bolsa e nela armas que deveriam vencer o monstro.

No principio o monstro se mostrou implacável... impenetrável...gigantesco...mais com habilidade e conhecimento de outras lutas, nosso herói conseguiu colocar “na chon” a forma dantesca. Ao remover a moldura de madeira pude notar que o monstro era muito menor do que parecia. Suas laterais ocas e seu fundo falso o diminuíram de forma assombrosa... a empáfia cessou...ao seu redor sujeira e teias de aranhas...pó do tempo.


Primeiro perdeu seu cume... como se perdesse a cabeça e ficasse apenas com seu corpo e depois sucumbiu sem portas ou maçanetas...


Espaço livre. Paredes sujas de cor rosa se apresentaram sem exitação...o chão de madeira foi reduzido a pequenos sacos que deveriam sumir ao toque do pó de pirlim-pim-pim, mais tiveram que sair carregados, afinal de contas, pó com pó anulam o feitiço e o que não faltava naquele pequeno espaço era pó...


Que dia foi este? Que luta “domquixotiana” ...mas afinal o dia terminou...meu santuário limpo, a cortina tremulava satisfeita, enquanto o sol se punha no horizonte junto as curvas verdes dos pequenos montes...atrás deles a praia.


A suavidade do vento me fez pensar...é assim que se parecem todos os monstro...monstros da vida... Quando temos um grande problema, uma situação desgastante, algo que incomoda, elas são como grandes monstros.


Monstros montados para nos assustar, na verdade muitos deles são ocos, como a estrutura do guarda-roupa que eu venci. Parecem grandes, mas não são na verdade dantescos... digo os problemas, as situações difíceis...mais parecem estruturas mentais indestrutíveis...mas não o são... É só ter coragem e tirar sua moldura assustadoramente firme, que poderemos notar seu real tamanho, as forquilhas que lhe dão sustentação, que após removê-las os deixam tão inseguros como nós diante o dilema da vida.


Quando a tortura mental termina fica uma tristeza, como a que saboreei ao ver a sujeira que ficou após a demolição do guarda-roupa. Situações problemas são assim, deixam sujeiras no caminho que precisam ser removidas com urgência, do contrário acumulam maus pensamentos e ideias de restabelecer a desarmonia.


E quando você “limpa” a situação, é a mesma sensação que eu tive ao poder desfrutar do meu quarto limpo e perfumado... cheio de novos espaços.
Espaços, para amizades, espaços para alegrias, para felicidade.


Às vezes não podemos fazer esta revolução sem ajuda, precisamos de uma comitiva como eu tive... temos que nos unir com gente talentosa, com experiência de sobrevivência a situações difíceis...
Não pense duas vezes... peça ajuda e vença seus medos...seus monstros...afinal de contas até Dom Quixote tinha seu Sancho Pança...





Mas não se iluda só você pode chamar o monstro para a luta... só você pode definir quando começa "o fim"... os companheiros de jornada são apenas para lhe ajudar a lembrar que você é um guerreiro...e que guerreiros sempre vencem no final.

Onde fica o setor do "era uma vez"?


Outro dia brincando com minha irmã acabemos questionando o que estava acontecendo em nossas vidas. Não somos mais as mesmas... definitivamente não somos (risos).


Ela comentava que estava muito caseira... que a história não era para ser assim. Daí eu falei:


_ Precisamos falar com o Chefe do Setor do “Era uma vez”!!!!

Chegamos à conclusão que estávamos esquecidas pelo setor... ou então ele entrou em extinção! Será que não escrevem mais nada excitante para gente?!


Poderiam escrever tipo: _ Era uma vez uma Gata Borralheira,

que não era mais tão gata assim, e nem tão borralheira assim...


Mais que não queria ficar presa em casa...blábláblá, bláblá...
Daí parei para pensar e descobri que eu gosto do meu “jeito gato” de ser... gosto de sofá... gosto de comidinha de casa...não gosto de sair pra caçar...detesto “pulgas e carrapatos”... conheço os cheiros... determino território...adoro meu cantinho...mais as vezes gosto de sair na aventura que é a vida lá fora...mas eu volto sempre pra casa...como todo bom gato caseiro eu sei voltar pra casa sempre!!!!


Já minha irmã... AHH!!!! deve ser do tipo gato de rua...porque vai gostar de rua lá no “Mundo dos Gatos de Rua”!!!!


Ela trabalha... sai e volta...sai de novo...volta...vê gente...toma umas arranhas da vida...dá de volta outras ... toma banhos de água fria... come mal porque tava de um lugar pro outro...só bebe água em casa porque vive correndo pelas ruas...pula ali...faz aqui...e ainda tem pic para reclamar que não sai mais de casa...que está caseira...


Na verdade acredito que perdemos aquele jeito do “Gato de Bar”... aquele que fica vendo gente entrar e sair do lugar ... convence-se com um salgadinho ... dá uma miadinha pra chamar a atenção na conversa... e outras coisitas mais...


Talvez tenhamos ficado mais exigentes com a vida e com isso perdemos a sabedoria de saber se divertir...de ficar à-toa... de curtir um quase nada... será que somos “gatosas”?


Não é isso que você pensou não!!!! Gatosa é gata idosa!!!! Mas com todo charme é claro rsrsrsrsrs afinal de contas possuímos o charme que todo o felino tem...miau!!!


Só pra constar:
A palavra borralheira quer dizer «lugar onde se junta o borralho», sendo este o «brasido coberto com a própria cinza» e, em sentido figurado, «lareira; lume» ou «lar» [in Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora]. Entretanto, «gata-borralheira» (com hífen) significa «mulher que não sai de casa, entregue aos cuidados caseiros» [in Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, edição da Editorial Notícias].

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Garotas boas vão pro céu...Garotas más vão pra qualquer lugar.

Este texto dedico a minha amiga Vania... educadora, museóloga, pesquisadora acirrada, gente fina por natureza.
Com um bocadinho de sorte sempre acabamos conhecendo alguém muito legal. Este é o caso!!!
Outro dia ela me provocou uma reflexão...comentou que comprou um adesivo para seu carro...que dizia:


“Garotas Boas Vão Pro Céu. Garotas Más Vão Pra Qualquer Lugar”.

Depois descobri que existe uma música com este título...que aliás não achei das melhores...apenas “meio” engraçada...
Porém a frase não saiu da minha mente...
Caramba eu descobri que prefiro ir pra qualquer lugar!!!!
Sempre imaginei o “céu” um lugar calmo demais...bonitinho demais...certinho demais...tudo demais.
Como tudo que é demais enjoa... vou preferir ir pra qualquer lugar.
Eu sou uma mente livre, que gosta de vôos diferenciados... como gostar de ficar em um só lugar.
Eu acredito no poder da mente...que nossos pensamentos podem levar a qualquer lugar...que longe é um lugar que não existe.
Eu acredito que o corpo pode estar aqui ... e a alma acolá.
O corpo acaba...o espírito voa rumo a imensidão Divina.

Definitivamente devo ser uma garota má...muito má...pois sonho com lugares incríveis e nem todos parecem com o céu.
Minha criatividade permite visualizar o espaço sideral.
Minha mente viaja pelo passado tal como uma regressão...
Minha imaginação cria histórias mil em lugares fantásticos...as vezes fantasmagóricos!!!
Meu próprio cérebro é um mundo a parte...cheio de espaços jamais desvendadas.
Devaneios ou não, estou muito longe de ser uma boa garota...ainda vou dar muito o que falar antes de ir “pro céu”, pois antes de ir pra lá vou passar em “qualquer lugar”...afinal de contas como posso ir para qualquer lugar...também posso ir para o céu. rsrsrsrs