Autoria

Os textos aqui divulgados são de minha autoria, coisas que escrevo nas noites tranquilas e de reflexão.

Fazem parte da minha vida, fatos ocorridos que retrato de uma forma criativa e com muitas alegorias, onde procuro provocar a analise do cotidiano e registrar minhas memórias.

Para isso transformo em pequenas histórias ou contos, que possuem parte real e parte inventado. Tente desvendar o que é real e o que não é...

Sejam sempre bem-vindos.







segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Varal


Daqui eu vejo o varal...o vento sopra o colorido das roupas esticadas na corda e parece colorir todo o espaço ao seu redor.
Tremulas, as peças dançam ao bel prazer do sopro do vento, que chicoteia eliminando gotículas de vida.
As folhas trazidas pelo vento passam sem macular a brancura das peças de cama, e a poeira do chão sob devagar e o vento sacodi para longe, antes que manche a história de uma tarde agradável de sol.
O sol brilha intensamente e faz com que as cores revivam momentos de alegria, quando as roupas grudadas no corpo de seus senhores passeavam nas vilas e lugares do mundo.
As roupas da casa que sempre tiveram ciúmes das roupas de vestir, observam a rua lá em baixo e o zig zag de gente e de carros sonhando em voar pelos céus e conhecer o mundo.
As roupas cansadas do trabalho aguardam um momento de sossego no armário e pesam nas férias que estão por vir.
O céu azul de novembro abre o caminho da reflexão, pois já é final de ano e 2012 não tarda a chegar.
O barulho da pouca natureza que resta ao seu redor é vida e os pássaros cantam felizes por terem este oásis no centro da cidade, que agora é grande.
Quem virá poupa-las do sereno da noite que aos poucos chega e trás consigo a escuridão de pensamentos?
Quem irá acomodá-las no balaio de sonhos e depois estica-las para que se tornem peças singulares no armário de vestir?
Em que gavetas dormiram as roupas de cama?
Em que armário descansara as peças de secar o suor da labuta de cada dia?
E o vento sopra apagando memórias deixadas pelos corpos e mantem as vivências que surram as peças... que nada mais são do que peles sem almas...mas que sobrevivem.

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