De machucho a chuveiro-balde!
Esta história de sacolinhas plásticas ecologicamente corretas e o uso das antigas sacolas de feira me fizeram viajar em minhas memórias.
Lá na caixinha da infância tenho guardadas algumas imagens legais, minha mãe e a tia Aurora na feira, comprando nas famosas feiras livres de São Paulo, onde encontrávamos além dos japoneses uma mistura incrível de nacionalidades.
Havia árabes vendendo “ducinhos” frágeis e deliciosos, todos muito coloridos e cheiravam... como cheiravam bem, até abelhas vinham nas barracas.
Outra barraca legal era dos japoneses, sempre tinha brasileiro de funcionário e vendiam legumes, verdura e frutas. As japonesas gritavam:
“Olha o machucho freguesa, tá fresquinho direto da horta”
Não me perguntem por que, mas machucho para eles é chuchu... uma questão de tradução, mais sotaque ou sei lá o quê (risos).
Outra coisa que os orientais adoram é pastel e toda a feira que se preze tem que ter pastel com muito recheio, enormes, crocantes e quentinhos. Tinha de queijo, carne moída, calabresa, bacalhau e o especial que era grandão e vinha com ovo fatiado dentro. Mais nenhum era igual ao de palmito... uhhhh palmito.
E com isso o brasileiro encontrou um jeitinho de ganhar dindin, ao lado dessas barracas sempre tem caldo de cana. Caldo com limão, com abacaxi, puro ou misturado sempre geladinho.
Os descendentes de alemães sempre apareciam com barracas de embutidos e vendiam mortadela, linguiças, etc.
Já os espanhóis, portugueses e italianos gostavam de comercializar azeitonas, pepinos em conserva, temperos e condimentos coloridos. Eu comia um negócio chamado tremoço, uma delicia de semente em conserva.
Já os nordestinos aproveitavam está mistura de gente e armavam as barracas de “secos e molhados”, minha mãe amava comprar charque, goiabada cascão, camarão seco, feijão de corda e tantas outras gostosuras engordativas, porém deliciosas.
Os turcos vendiam vassouras, rodos, tampa para ralo, espanador, passadeiras para o piso, segura-porta, chuveiro-balde e tudo mais que você precisasse. Eram barracas enormes e aceitavam encomendas para próxima semana, caso não tivessem o produto.
Lembro-me que uma vez uma das barraca não apareceu. Ninguém veio armar e trazer mercadorias, o lugar ficou ali vago em meio a todos vendendo. As pessoas olhavam tristes e perguntavam por que aqueles amigos semanais não haviam comparecido...e eu era pequenina demais, não me lembro do desfecho desta parte da história e o que aconteceu depois.
Mas lembro que naquele dia... as pessoas ficaram muito preocupadas com aquela família.

